sábado, 14 de fevereiro de 2009

Mais um dia , mais um ano


Mais um dia, mais um ano…
Tudo parece continuar igual, sem diferenças nenhumas, contudo já passaram 365 dias todos eles com 24horas.
Sinto, que nada mudou, apenas a idade que não se deixa vencer pelo tempo e passa a correr quase sem darmos por isso. A vida tem destas coisas, passa-nos ao lado….Ou somos nós que não damos pelas pequenas coisas que surgem, e que não sabemos apreciar.
Reconheço que em certas situações tenho uma perspectiva bastante negativa da vida. Talvez não lhe dê o real valor, ou pela minha maneira de ser queria exigir mais da mesma.
Não sei se estarei certa, se muitos de vós partilham esta minha visão pessimista, contudo como nem tudo é mau, damos por nós a sentirmo-nos apaixonados pelos pequenos prazeres da vida. Prazeres que esta nos deixa saborear, mas que ao mesmo tempo nos retira a felicidade de usufruirmos um pouco mais.
Será que essa felicidade está em nós mesmo? Será que a felicidade se consegue encontrar? Fico sem resposta.
Encontro incertezas, desconfianças, limito-me a observar e rever situações e momentos bons e maus e fico a meditar.
Todos os olhares, os movimentos, as frases, os gestos, as palavras….tudo é analisado quando dou por mim a reportar a memórias para respostas concretas às minhas incertezas.
Como todos nós tem, os defeitos, reconheço que os meus nem sempre fáceis de ser interpretados ocupam grande parte de mim. Será que sou assim tão má, será que mereço tudo o que passei e tudo ainda pelo que vou passar? Será que todos nós temos de nos saber levantar e enfrentar as coisas más que nos fazem, a mentira, a traição, o ódio.
Porquê?
Se tudo é uma passagem nesta vida, porque damos por nós tristes, inseguros, sentindo-nos fúteis, básicos, cruéis, vingativos, desconfiados e todos os demais adjectivos que muitas das vezes são utilizados.
A tristeza representa a solidão, a falta de qualquer coisa …não no sentido de possuir, de ter esse bem material, mas sim uma qualquer parte da nossa vida que nos falta para nos tornarmos felizes.
A insegurança, demonstra falta de confiança em si mesmo e nos outros. Porquê? Se nada é de ninguém.
A futilidade, quando damos por nós a não podermos exercer a nossa parte mental e apenas realizarmos o básico que nos é pedido.
A crueldade, não tem razão de existir, mais tarde ou mais cedo algo se muda contra nós mesmo.
A vingança, para quem disse que a vida são 2 dias, será útil ser vingativo para o tempo que cá estamos.
A desconfiança, outro erro da humanidade. Sentir desconfiança em algo ou em alguém é quase como sufocar quem gostamos, temos que saber controlar esse sentimento cruel. Embora que por vezes seja difícil conseguir esse controlo, ainda mais quando o tempo, a vida, a distância nos tenho já feito passar por isso.
Eu reconheço em mim, a tristeza, a insegurança, não por ter vivido o que já vivi, nem pela forma como as coisas foram aparecendo ou se dissolvendo, sinto uma tristeza interior que não sei explicar, falta qualquer coisa para sentir a felicidade e abraçar-me a Ela como se não houvesse amanhã.
Reconheço que existem vidas bem piores, reconheço um certo egoísmo da minha parte, mas também seja por não dar a quem merece essa mesma gratidão. Afinal, viver mais um dia já é bom….Mas falta sempre algo.
Por tudo o que a vida já me fez passar, e fez com que acabasse por crescer um pouco mais, onde soube o significado de saber o que é perder alguém que nos está próximo e sentirmo-nos totalmente incompetentes e sem nada poder fazer perante a lei da vida.
Perder alguém que para nós é um ponto de referência, um porto de abrigo, uma amiga, uma avó…também nos faz crescer e sentir que estamos aqui para defender tudo o que nos foi transmitido por semelhante pessoa.
Sentir que estamos a ficar literalmente apaixonados e não estarmos a ser correspondidos, fazer com que cada momento pareça único e sentir que aos olhos do outro não tem nenhum valor….Também nos faz crescer, a ficar mais rudes, mais cruéis, mais revoltados pela sensação de segundo plano, se ficar para trás porque existe sempre algo mais importante para se fazer.
Depois e como o tempo não para acabamos por sofrer em catadupa, sentimo-nos como “ mais uns” que aqui estamos. Mais uns que tiveram direito à vida e que assim vão ter que acabar por sentir todo o sofrimento de uma paixão, de uma renuncia, de uma troca, de um adeus, de um momento, de um acto que mesmo sem intenção foi feito, por simples palavras que nos tocam ao sentimento e que nunca mais conseguimos esquecer.
Não consigo encontrar em mim a felicidade, mesmo que ela exista dentro de mim…sempre existirá alguma coisa ou alguém que vai fazer com que nunca a encontre.
Porque a vida não é perfeita e eu não consigo enfrentar certas desilusões refugio-me na escrita, e tendo a noção que ninguém perderá tempo a ler as palavras e frases por mim escritas, sinto em mim uma enorme dificuldade em expressar meus sentimentos e esta é a forma mais fácil para o conseguir fazer.

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